quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sujo


* Parceria de Agnes Mirra e M. D. Amado

Rubros
Caídos em minha face
Suados, atrapalhados
Cabelos...

Ofegante
Sem controle
Esquentando minha pele
Respiração...

Olhos vermelhos, quase de ressaca
Ofuscando meu desejo
Em lampejos do que ainda não vivi
Do que ainda não senti
Mas do que quero

Me lacerando em palavras
Num vasto abismo de libido e desejos incontidos
Observando a absorvendo
O alimento que só você me dá
Em palavras cuspidas em meu rosto
Suado
Ofegante

Perversão e súplica
Tesão irremediável, cheiros e odores
Peles rasgadas, unhas soltas
Descontrole e impurezas sórdidas
Sexo pelo sexo... ou talvez não
Sexo pelo gosto... ou quem sabe não
Sexo por amor... não

Sexo pela vida... sim
Última chance de perdão
Será assim o fim?
Sexo... suado... ofegante

A resposta tem tua cor
Meu odor
E todos os fios de cabelos são as possibilidades

A resposta está em seus olhos
O brilho magnético do desejo silencioso
E um distúrbio envolve minha imaginação
E todo meu pensamento vai até você
Tenta te visitar em sonhos
E em sombras
Do que ainda não vi
Do que ainda não vivi...

E nem viverá
Falo agora por cima de teu silêncio
Foi sexo por sexo... sem perdão
Bebo agora o seu sangue
Minha garras afiadas
Seu pescoço tão liso... branco... e rubro

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Aqueles olhos azuis

* Parceria de Kelly Rodrigues e M. D. Amado


O que faz de você a dona daqueles olhos?

Por que os prende? Liberte-os...
Deixe que eles me vejam, que vejam o mundo lá fora
Teu egoísmo tem nome de amor
Solte-a...

Deixe o vento soprar aqueles cabelos dourados,
distribuindo seu cheiro por onde quer que ela passe
Permita que seus braços envolvam a vida
Deixe-se libertar pelo afago suave de suas mãos
Reprima seus anseios e solte suas virtudes

O que me faz ser dona daqueles olhos?
É a sublime alma que neles habitam
É a certeza de que ela jamais irá sucumbir às pobrezas terrenas
É a veracidade de fatos tão precisos que demonstram e me fazem crer,
que sou unicamente dona daqueles olhos

Jamais prenderei aqueles olhos ou os privarei de olhar o mundo
Pois no momento em que o fizer, isso deixará de ser amor

O amor é livre e companheiro
Confia e acredita...

Se é mesmo assim como está me dizendo, retiro-me
Pois se ainda assim ela só tem olhos para teus olhos,
não há espaço para que eu habite essas paisagens azuis
Deixo-me levar pelo desejo destruído
E por querer o que não posso, peço-te...
Não sejam duas... Unifiquem-se...
Mas não percam a liberdade de olhar o mundo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Bosque das Paixões

* Parceria de Miriam Castilho e M. D. Amado

Eu não sei viver sem paixão. É uma doença. Parece que tenho que viver exercitando o coração. Sinto e ouço o correr do sangue nas veias, quando me apaixono. Os olhos enxergam apenas o que querem. Os ouvidos se calam aos conselhos daqueles que nos querem bem...

Meu corpo padeceu diante de seu toque. Ele me fez sua vítima/seguidora fiel. Perdi por instantes minha sede de viver por mim mesma.

Dias depois eu já estava em seus braços, naquela cabana simples, rústica e escura, no meio da floresta. Deixei amigos e família. Amei intensamente aquele homem até que um dia todos os meus sonhos se despedaçaram. O coração antes inundado de paixão ficou enegrecido por sentimentos sombrios.

Desconfiança...

Não sei se real ou imaginária, mas vozes roucas sopravam em meus ouvidos coisas que nunca antes ousara imaginar. Meu cérebro, induzido por essas vozes, começou a processar imagens, vultos, rostos, pessoas...

Ele percebeu minha confusão. Notou minha mudança de comportamento. Nunca disse uma palavra sequer. Apenas me olhava de um jeito que até hoje não sei descrever com muita segurança. Um misto de pena e satisfação talvez. Parecia me estudar a cada movimento. A cada pesadelo ou suspiro.

O sexo já não era o mesmo. Ainda se mantinha voraz e delicioso, mas não tinha mais o carinho do início. Era cada vez mais sexo e menos amor.

E foi mudando a cada noite, até o dia em que meu corpo começou a se transformar. Sentia-me humilhada. Meu amor pisado impiedosamente por sua indiferença e seu sarcasmo. Acho que a vontade inútil de esquecê-lo e a sede de vingança desencadearam a metamorfose. Notei diferenças a cada dia em meu corpo. Nos primeiros dias, as unhas ficaram amareladas, assim como a minha pele. Meus cabelos tomaram um tom esverdeado e os seus fios engrossaram.

Eu não queria mais encarar o espelho, pois meu olhar se refletia nele como o olhar dos loucos; vazio e distante. Sentia dificuldade em engolir. Já não me alimentava e na boca um gosto de sangue constante.

Na minha última noite dentro da casa, minhas pernas e braços enrijeceram e ele não quis fazer amor comigo. Adormeci...

Minhas raízes agora esbarram nas de outras antigas paixões. O bosque ao redor de sua casa está repleto de nós. Há quem pense que somos apenas árvores com feições humanas. Uma sinistra brincadeira da natureza.

No alto das copas, folhas de outono desgarrando-se dos galhos, livres de todo o resto. Mas no interior da terra minhas pernas/raízes ainda tentam alcançá-lo.






sábado, 10 de outubro de 2009

Renúncia das Cores

* Parceria de Débora Andrade e M. D. Amado

Quero ir embora
Perder minhas horas, esquecer de mim... Esquecer de ti...
Me perder em você... Nos seus caminhos que me expulsam dos trilhos
Provisório. Não me aguento
Não me alimento mais de sonhos que eu mesma bordo

Se desfaça então
Solte suas amarras
Jogue meu tempo contra o seu
Beba-me em versos e letras
Teus bordados agora me pertencem

Náuseas. Basta. Não quero mais ser de ninguém

Querer não está em pauta
És agora de outra vontade
Tens a porta à sua frente, pálida

Chega de rosas
Meu mundo já está sem cor desde que me aproximei de ti
Tu não sabes a diferença entre carmim e ocre

Cores vão e vem
Gire a roda e tudo vira branco...
Ou cinza como tua mágoa
Deixe os tons... Ouça

Só ouço o som deste piano pesado que só soam notas de saudade

Saudade é música parada
Mas o piano toca o que você não espera
Pare. Escute com atenção...
É o som da sua entrega

Então me tomas
Renuncio a ida
Fico
E só fico porque me quer por perto

Devolvo suas cores
Feche os olhos e as tome